
Os dicionários estão recheadíssimos de palavras bonitas que tendem tristes a explicar o sofrimento dos outros. O difícil é falar da alegria. Alegria que pode ser felicidade momentânea, mas quase não tem sinônimos na literatura.
O estar bem não inspira, não vira música nem poesia. Estar triste é sentimento premiado no Oscar de melhor drama, é realidade inventada para vencer o tédio que é ser comum e não ter do que reclamar.
Vc acaba de me fazer uma realidade nítida.
ResponderExcluiroq é valorizado, oq dá dinheiro,
é se aroveitar de desgraças alheias.
Falar de amor é "menos importante",
ñ dá audiência.
São realidades, as coisas hoje, é bem dividida. “O que é valorizado, o que dá dinheiro.” Temos muitos livros que fala de amor [Finais. Felizes]
ResponderExcluirE quando eu leio um livro romântico ou vejo um filme com aqueles finais felizes eu sempre me sinto deprimido. Acho que eles são feitos para isso mesmo, para deixar evidente o quanto à vida da gente é simples, sem graça. E parece que tudo é muito pior quando a gente está sozinho. Sinceramente, eu queria muito acreditar no tipo de amor que é puro, altruísta, que atravessa o tempo, a distância. Mas será que isso existe? O que será que determina que alguém vai ser feliz para sempre? Ou que vai encontrar o amor da sua vida despretensiosamente ao atravessar uma rua, numa lanchonete, livraria, ônibus, ...? Ou que existe em algum lugar do mundo alguém que espera ansiosamente para lhe conhecer?
Contos de fadas, príncipe encantado, felizes para sempre, amor à primeira vista, amor eterno, pessoa ideal... A gente cresce acreditando em tudo isso, pelo menos eu cresci. Sempre que eu me decepcionava com alguém, os consolos que vinham de todos os lados eram os mesmos: “não era a PESSOA CERTO pra você", "O que é seu está guardado", "O que tiver que ser será" e por aí vai. Ouvir essas coisas em um momento em que tudo parece ruim é um conforto, é como jogarem uma corda para lhe resgatarem do fundo do poço. Mas aí quando você chega à superfície e vê que essas coisas não existem a vontade é de se jogar espontaneamente no mesmo buraco.
As oscilações são terríveis. Se em uma hora a gente acredita que tudo vai dar certo, em outra vê o mundo desabar... É tão mais fácil ficar sempre no escuro, quando você sabe que a luz só vai aparecer por um instante.
Deve existir um meio termo exato no qual a gente deveria permanecer entre o "mundo real" e a "ilusão", mas eu nunca soube encontrar esse ponto. Ou eu acredito que no fim tudo dará certo ou que nunca dará, não importa o que aconteça. Ou me rotulam de sonhador e iludido ou de amargo e duro. Mas qual é o meio termo? Como a gente se segura e não fantasia diante de um novo amor? Como a gente é capaz de sonhar e amar sem medo depois de passar por milhões de decepções?
Eu sonho com isso. Embora, muitas vezes, duvide que aconteça. E se não existir essa tendência à felicidade? E se tudo acabar em algum lugar sem graça e sem histórias pra contar? Eu me questiono todo o tempo. E a única resposta que eu encontro é que não há como saber. Algumas pessoas têm vidas iguais as dos filmes e livros, que encheriam muitas e muitas páginas. Outras, simplesmente, podem ter sua história condensada em algumas linhas. O quê (ou quem) determina qual, entre esses dois tipos de pessoas, eu vou ser? Eu não sei.